,

A história mal contada do prêmio de R$ 205 milhões da Mega-Sena

Como o país sairá desse mar de lama?

A história do concurso 1764 da Mega-Sena que, em 25 de novembro de 2015, premiou um único apostador de Brasília com o fabuloso prêmio de R$ 205 milhões continua mal contada e gerando suspeitas. Um único jogo de aposta simples, cravado com as seis dezenas sorteadas, foi feito numa casa lotérica de um bairro nobre da capital federal e o valor gigantesco foi recebido no dia seguinte, rapidamente, logo cedo. O nome do ganhador não foi divulgado.

A aposta simples, no valor de R$ 3,50, não representa o perfil predominante nas apostas feitas em bairros ricos, onde os apostadores podem e costumam investir um pouco mais, marcando mais dezenas para aumentar suas chances no sorteio. Além disso, surgiram suspeitas quanto à casa lotérica e até a Caixa se enrolou na hora de divulgar a premiação. A sucessão de trapalhadas e mentiras fez o senador Álvaro Dias, do Paraná, solicitar esclarecimentos oficiais à Caixa. Não bastasse toda essa confusão, naquela época entrou na ciranda o nome de Eduardo Cunha, já que o vice-presidente da Caixa responsável pelas loterias era seu fiel aliado.

DEDO DO EDUARDO CUNHA NA MEGA-SENA?

Este último lance do caso incendiou as suspeitas de fraude nas Loterias da Caixa, principalmente depois que a então presidente Dilma Rousseff demitiu o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Fábio Ferreira Cleto. Com a notícia da demissão, veio a público que o chefão da Mega-Sena era homem de confiança do presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), indicado por ele para o cargo. Vai vendo de onde vem a coisa toda…

A Folha de S. Paulo noticiou:

“(…) a presidente Dilma Rousseff exonerou nesta quinta-feira (10) o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Fábio Cleto. O aliado de Cunha era responsável pelas loterias federais e por fundos como o FGTS.”

O portal iG, dava conta do papel e da fidelidade de Cleto a Eduardo Cunha:

Vice ligado a Eduardo Cunha resiste a mudanças na Caixa I

Há um enigma na Caixa Econômica Federal, um mistério que atende pelo nome e sobrenome de Fabio Ferreira Cleto (foto), vice-presidente de Governo e de Loterias da instituição. Seus próprios pares na diretoria da Caixa se perguntam: até quando Cleto, uma notória extensão de Eduardo Cunha, se manterá intocado no alto-comando do segundo maior banco público do país? Sai executivo, entra executivo e o tentáculo do presidente da Câmara dos Deputados segue com suas ventosas presas ao cobiçado cargo. Aliás, dois cobiçados cargos. Cleto tem assento também no conselho do FI-FGTS. É, portanto, uma das 11 vozes que decidem o destino dos mais de R$ 32 bilhões em recursos do Funde Investimento reservados para projetos de infraestrutura. Entredentes, seus pares no conselho do FI-FGTS se referem a Cleto como “o quinta coluna”. Em julho, quando as relações entre o nº 1 da Câmara dos Deputados e o Planalto já tinham avinagrado de vez, o vice-presidente da Caixa foi o único conselheiro a votar contra o repasse de R$ 10 bilhões do fundo para o BNDES. Perdeu por 10 a um, porém, mais uma vez, não desperdiçou a chance de demonstrar enorme fidelidade ao seu fiador.

CAIXA SE ENROLA E AUMENTA SUSPEITAS

As suspeitas sobre o concurso 1764 tomaram impulso com as trapalhadas da própria Caixa, organizadora da Mega-Sena. Um internauta atento, possivelmente um apostador, foi ao site da Mega-Sena após o sorteio, na noite de 25/11 e lá viu a notícia de que o prêmio havia acumulado mais uma vez. Ou seja, ninguém havia acertado as seis dezenas. Qual não foi a surpresa ao constatar pela manhã que a notícia era outra: havia um ganhador! Veja as imagens.

Ué! Mudou por quê? Por que mudou?

Ué! Mudou por quê? Por que mudou?

A primeira fotografia teria sido tirada às 22h do dia 25/11 (mostrando que o prêmio teria acumulado) e a segunda foto teria sido tirada 7 horas depois (mostrando que havia um ganhador daquele concurso da Mega Sena).

A colagem de imagens foi bastante compartilhada através do Facebook por pessoas preocupadas e indignadas com a suposta manipulação dos resultados, o que apontaria para a existência de fraude no sorteio do concurso 1764 da Mega-Sena.

SENADOR PEDE ESCLARECIMENTOS

O senador pelo Paraná, Álvaro Dias, que estaria trocando o PSDB pelo PV, anunciou que pediria esclarecimentos oficiais à Caixa a respeito do concurso 1764. Em nota, o senador disse que “cobrará explicações formais e imediatas” da Caixa e afirmou que o “desencontro de informações alimenta especulações de irregularidades, que devem ser passadas a limpo urgentemente”.

Uma coisa é certa: o caso é muito sério, as loterias mexem com os sonhos de milhões de brasileiros e é preciso que o assunto seja esclarecido com segurança pela Caixa, organizadora dos jogos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *