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“A Lava Jato precisa investigar o Judiciário”, afirma ex-ministra

Eliana cobra responsabilidade do Judiciário no escândalo da Petrobras

A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, sempre polêmica e corajosa, que em 2012, quando ocupava o cargo de Corregedora Nacional de Justiça, disse que ‘bandidos de toga estavam infiltrados no Judiciário’, voltou a atacar dizendo que ‘a Lava Jato precisa investigar o Judiciário’.

Apurar responsabilidade

A magistrada aposentada pondera que ‘a grande maioria da magistratura brasileira é de juiz correto’, mas que ‘é preciso apurar a responsabilidade do Judiciário no escândalo de corrupção da Petrobras’.

Na entrevista concedida ao ‘Jornal El País’, Eliana Calmon diz ainda que considera ‘a Lava Jato um divisor de águas para o país. A partir dela vieram à tona as entranhas do poder brasileiro, e sua relação com a corrupção em todos os níveis de Governo. Mas para que tudo isso fique muito claro, seja passado a limpo de fato, precisa se estender para todos os poderes. Muitos fatos envolvendo o Executivo e o Legislativo vieram à tona, mas o Judiciário ficou na sombra, é o único poder que se safou até agora’.

Quanto a participação do Judiciário no escândalo de corrupção, Ela vaticina o seguinte: ‘a Odebrecht passou mais de 30 anos ganhando praticamente todas as licitações que disputou. Enfrentou diversas empresas concorrentes, muitas com uma expertise semelhante, e derrotou todas. Será que no Judiciário ninguém viu nada? Nenhuma licitação equivocada, um contrato mal feito, que ludibriasse e lesasse a nação? Ninguém viu nada? Por isso eu digo que algo está faltando chegar até este poder. Refiro-me ao Judiciário como um todo, nas três instâncias. Na minha terra, na Bahia, todo mundo sabia que ninguém ganhava nenhuma causa contra a Odebrecht nos tribunais. O que eu questiono é que em todas estas décadas em que a empreiteira atuou como organização criminosa nenhum juiz ou desembargador parece ter visto nada… E até agora nenhum delator mencionou magistrados’.

da Redação

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