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Che Guevara, heroi não, assassino sim

“Um olho por um olho deixa o mundo inteiro cego.” Estas são palavras de Mahatma Gandhi.

“A escuridão não pode repelir a escuridão; só a luz pode fazer isso. O ódio não pode repelir o ódio; só o amor pode fazer isso.” Estas são palavras de Martin Luther King Jr.

Seus nomes evocam as imagens de líderes da história que invocaram a mudança por meio do que chamaram de “militância pacífica”. Porém, suas palavras definem o que estava em seus corações; palavras que moviam os outros para a ação com um resultado pacífico desejado. A história atesta os frutos desses métodos civilizados de protesto contra a injustiça e a corrupção. Estes homens são lembrados positivamente por isso e podem ser considerados heróis na história.

“Louco de fúria, eu mancharei de vermelho meu rifle ao matar qualquer inimigo que caia em minhas mãos! Minhas narinas dilatam enquanto saboreiam o cheiro acre de pólvora e sangue. Com a morte de meus inimigos, eu preparo meu ser para a luta sagrada e me junto ao proletariado triunfante com um uivo bestial!” Estas são as palavras de Ernesto “Che” Guevara, que ele escreveu em seu famoso ensaio e seu efeito é bem diferente dos exemplos anteriores.

Na véspera da estreia do novo filme intitulado “Che”, muitos se perguntam se as pessoas se lembrarão do homem por quem ele realmente foi e quais foram seus métodos de mudança.

Alguns se lembram dele como um líder latino-americano semelhante aos líderes de direitos civis da história. Outros que viveram a revolução cubana, as prisões e testemunharam as execuções contam uma história bem diferente.

Então, que imagens o nome de Ernesto Che Guevara evocarão nas mentes das pessoas? Ele é um grande líder do passado? Ele teve um impacto positivo na condição humana? O que realmente sabemos sobre Ernesto Che Guevara? Quando questionados, muitos se surpreendem com quão pouco realmente sabem sobre ele.

Embora ele seja reivindicado como um médico nativo da Argentina, ele nunca se graduou em medicina. Na verdade, ele abandonou os estudos para se juntar e fomentar a revolução marxista em Cuba financiada pela Rússia comunista soviética.

O presidente cubano Manuel Urrutia com os líderes revolucionários Che Guevarra e Camilo Cienfuegos em 1959. (Domínio público)

O presidente cubano Manuel Urrutia com os líderes revolucionários Che Guevarra e Camilo Cienfuegos em 1959.

Quando de sua chegada a Cuba, Fidel Castro era o líder da esquerda militante pronta para derrubar o regime corrupto de Fulgencio Batista, o 17º presidente de Cuba.

Muitos dos primeiros líderes da revolução cubana favoreceram um governo democrático, mas Che e Castro eram conhecidos partidários de linha-dura do comunismo soviético. À medida que Castro concentrava mais poder, os defensores de um governo democrático tinham menos influência, assim eliminando as chances de um futuro processo democrático.

Após a derrubada do regime de Batista em julho de 1959, Che presidiu os primeiros esquadrões de fuzilamento e estabeleceu “campos de trabalho” em todo o país, inspirados nos gulags soviéticos. Ele agiu como juiz, júri e carrasco, algo do qual ele pessoalmente se orgulhava. Ele escreveu em seu ensaio:

“Para enviar homens ao pelotão de fuzilamento, a prova judicial é desnecessária… Estes são os procedimentos do detalhe burguês. Esta é uma revolução! E um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar motivada pelo puro ódio. Devemos criar a lição do Muro!”

Invocar o “Muro de Berlim”, construído por seus camaradas da União Soviética, era um testemunho do processo de lidar com os dissidentes e eliminar a oposição da recém-formada ditadura comunista cubana. E liquidá-los foi o que ele fez.

Por meio desses recém-criados campos de trabalho, Che ordenou a morte de centenas de milhares de cubanos indefesos, incluindo mulheres e crianças de até 14 anos. Ele executou pessoalmente mais de 180 pessoas, embora alguns digam que muitos mais foram ceifados por suas mãos. Um destacamento especial nos campos foi designado para lidar com o “problema gay” quando estes eram presos. Jornalistas também foram silenciados e não tinham direito a qualquer voz livre, conforme prometido pelos revolucionários.

Após a tomada do poder, este novo regime, apoiado pela União Soviética, construiu um Estado-policial que encarcerou percentualmente mais pessoas do que o regime comunista de Joseph Stalin e executou mais pessoas nos três primeiros anos do que o regime nazista de Adolf Hitler nos primeiros seis anos.

Durante o governo Kennedy em 1962, após muito debate sobre se os soviéticos tinham algum envolvimento com a revolução cubana ou o desenvolvimento de seu governo, o primeiro-ministro russo Nikita Khrushchev trabalhou com Castro para instalar armas nucleares de longo alcance em Cuba, desta forma encerrando o debate e criando outro.

Depois que Kennedy se encontrou com representantes soviéticos, o evento terminou sem maiores incidentes e os mísseis foram removidos. No entanto, Che não ficou feliz com o resultado e tanto ele como Castro se sentiram traídos por seu irmão mais velho soviético. Che foi citado no jornal socialista cubano “Diário do Trabalhador”, dizendo: “Se os foguetes tivessem permanecido, teríamos usado todos eles e os dirigido contra o próprio coração dos Estados Unidos, incluindo Nova York…”

Em 1965, depois de garantir a supremacia de Castro em Cuba, Che foi contratado pelos russos para ajudar na expansão soviética, ajudando e treinando rebeldes no Congo africano. Lá, ele ficou frustrado com o débil progresso da revolução contra os “invasores europeus” e que seu amor pela violência não era correspondido ou superado pelos locais. Ele expressou suas frustrações afirmando:

“Os negros, aqueles magníficos exemplos da raça africana que conservaram sua pureza racial por sua falta de afinidade com se lavarem, viram sua parcela invadida por um tipo diferente de escravo: Os portugueses… o negro é indolente e fantasioso, gasta seu dinheiro em frivolidade e bebida; o europeu vem de uma tradição de trabalho e economia que o acompanha a este canto da América e o impulsiona a ir adiante.”

Quando ele decidiu deixar a África e abandonar os esforços de expansão soviética lá, ele falou posteriormente num programa de entrevistas de rádio com Louis Pons e declarou:

“Nós faremos pelos negros exatamente o que os negros fizeram pela revolução. Com isso eu quero dizer: nada.”

Dois anos depois, em 1967, Che viajou para a Bolívia para fomentar a revolução, onde ironicamente nem um único camponês se juntou a ele nem a revolução soviética. Também ironicamente, ele acabou encontrando ouvidos atentos em membros da classe média, que logo se juntaram a ele na matança de milhares de bolivianos inocentes numa revolta de curta duração. Pouco depois, a polícia boliviana o perseguiu com a ajuda da Inteligência dos Estados Unidos e o capturou.

Seus captores disseram mais tarde: “Ele foi muito corajoso quando estava na Fortaleza de La Cabana, matando civis inocentes, incluindo uma criança de 14 anos, mas ele parecia muito amedrontado depois de ter sido capturado.”

Alegadamente, Che suplicou por sua vida dizendo: “Eu sou muito mais valioso para vocês vivo do que morto.”

Aparentemente, seus captores não concordaram. Ele foi tratado da mesma maneira como tratou inúmeros outros e enviado para um pelotão de fuzilamento e executado.

No festival de cinema Sundance, numa exibição do filme “Diários de Motocicleta”, baseado no livro de Che, o público ficou de pé e aplaudiu entusiasticamente. Alguns perguntaram se eles sabiam o que estavam aplaudindo ou quem? Aqueles que apoiam Che em Hollywood e círculos esquerdistas na Academia alegam que Che Guevara era um pensador livre e um revolucionário idealista.

Seus defensores também alegam que a revolução foi há muito tempo e que Cuba está melhor agora.

No momento em que escrevo isso, uma tremenda luta social está fervendo em Cuba. Liberais dissidentes exigem direitos humanos fundamentais de seu líder comunista e, em resposta, todos exceto um líder foram presos.

Entre os presos está um importante jornalista cubano que está cumprindo uma sentença de 20 anos. Ele iniciou um novo tipo de revolução entre os cubanos fazendo campanha para estabelecer um sistema de bibliotecas independentes em todo o país, livre do controle estatal. O país luta com uma escassez de material de leitura informativa após as centenas de episódios de livros queimados liderados por Che após a revolução. A repressão totalitária em Cuba também tem suprimido esta campanha.

É este o “pensamento livre” que os defensores de Che têm em mente? Para aqueles que orgulhosamente exibem a imagem icônica de Che em suas camisetas, fica a questão, este é o “idealismo” que eles conceberam? Este é de fato o homem que é reverenciado por aqueles que optam por idolatrá-lo no cinema?

A forma de comunismo de Che, que ele aprendeu com seus mentores soviéticos, coletivamente reivindicou a vida de mais de 100 milhões de pessoas no último século e continua sua contagem com as políticas repressivas do regime comunista chinês. Isso é duas vezes o número total de mortes da 2ª Guerra Mundial e dezesseis vezes o número de mortos dos infames campos de extermínio nazistas.

Com tal sede de violência e um ódio óbvio pela verdadeira liberdade e pelo processo democrático, Ernesto Che Guevara claramente não tem os ingredientes de um líder na história que chamaríamos de herói, nem mesmo com a mais extravagante imaginação. Ele era um assassino? Ele é identificado como tal por suas próprias ações e palavras, e ele não parece se importar. Verdadeiramente, ele foi a “fria máquina de matar” que ele instigou outros a se tornarem.

Algum dia alguém fará um filme para lembrar aqueles que morreram nas mãos da “fria máquina de matar” do comunismo e condenar seus carrascos. Então, a história real será conhecida.

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