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“Delação da Odebrecht sem juízes, desembargadores, não dá”, diz Eliana Calmon

A ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a Operação Lava Jato “tomou uma posição política” e que atingirá, “numa fase posterior”, nomes do Pode Judiciário.

“A Lava Jato tomou uma posição política. Ou seja, pegou o Executivo, o Legislativo e o poder econômico, preservando o Judiciário, para não enfraquecer esse Poder. Entendo que a Lava Jato pegará o Judiciário, mas só numa fase posterior, porque muita coisa virá à tona. Inclusive, essa falta tem levado a muita corrupção mesmo. Tem muita coisa no meio do caminho. Mas por uma questão estratégica, vão deixar para depois”, avaliou a ex-ministra.

Ministra foi dura

Calmon defendeu que o Judiciário também seja escrutinado pela operação e criticou a ideia de que não se deve punir o Poder, como ocorre com os outros dois.

Segundo ela, essa cultura já existia no tempo em que ela foi corregedora e “as coisas não melhoraram”.

“Há aquela ideia de que não se deve punir o Poder Judiciário. Nas entrevistas, Noronha [o atual corregedor nacional, ministro João Otávio de Noronha] está mais preocupado em blindar os juízes. Ele diz que é preciso dar mais autoridade aos juízes, para que se sintam mais seguros. Caminha no sentido bem diferente do que caminharam os demais corregedores”, afirmou.

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