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Estadão cutuca juízes federais. Associação reage com resposta dura

Os juízes federais estão na pauta dos jornais em todo Brasil. Os alvos prediletos da grande mídia são Sérgio Moro e Marcelo Bretas, ambos com atuação direta na Lava Jato. Neste final de semana de Carnaval o Estadão aproveitou a distração para dar recado e atacou os magistrados.

A Associação dos Juízes Federais (AJUFE) reagiu contra o editorial malicioso do jornalão.

Confira a nota da AJUFE.

A Ajufe – Associação dos Juízes Federais do Brasil, entidade de classe de âmbito nacional da magistratura federal, vem a público se manifestar sobre o editorial do jornal O Estado de São Paulo publicado neste domingo (11/02), intitulado “O cansaço do povo”. 

Repudiamos, veementemente, a campanha difamatória e desmoralizadora a que tem sido submetido o Poder Judiciário e seus membros, em uma época de intenso enfrentamento à corrupção, quando poderosos e ocupantes de cargos importantes da República estão sentados nos bancos dos réus.

Querem trazer para o Judiciário uma crise que não é sua e nem foi criada por ele. A corrupção endêmica que se instalou no Brasil não é de responsabilidade dos seus juízes, mas dos que se utilizaram da máquina pública para o locupletamento.

Os magistrados, ao contrário do que muitos apregoam, estão submetidos ao controle das partes, das corregedorias e dos tribunais, realizando um trabalho nunca antes visto no Brasil e agora são alvos de ataques covardes, atingidos nas suas honras com o intuito indireto de desacreditar as investigações e julgamentos realizados até o presente momento.

É inaceitável a propaganda agressiva e de má fé que vem sendo realizada por alguns veículos de comunicação contra os magistrados federais, que são responsáveis pelo julgamento de grandes processos de corrupção envolvendo políticos e poderosos empresários, no sentido de possuírem imóvel próprio e ainda assim receberem a verba indenizatória de Ajuda de Custo para Moradia, porquanto o artigo 65, II, da Lei Complementar n. 35/1979, e a sua regulamentação pelo Conselho Nacional de Justiça, asseguram a percepção de tal verba sempre que não houver residência oficial à disposição do magistrado.

A carga tributária suportada pelos magistrados é enorme, sofrendo os seus vencimentos brutos um decréscimo de um terço quando se considera o valor líquido do subsídio mensal. Mas não se abre um debate sério sobre a proporção da contribuição previdenciária sonegada por empresas, nem sobre o que se deixa de recolher de imposto de renda sobre lucros e dividendos de empresários milionários.

E que não se esqueça do que ocorreu após a Operação Mãos Limpas na Itália, com manobras legislativas visando à extinção de crimes e redução de prazos prescricionais, além da perseguição aos magistrados que atuaram firmemente na apuração e condenação dos criminosos. E que se lembre que o Poder Judiciário, ainda é, hoje, aquele que pode garantir que os direitos individuais e da coletividade sejam protegidos frente às inúmeras ameaças e arbítrios cometidos todos os dias.

Brasília, 11 de fevereiro de 2018

ROBERTO CARVALHO VELOSO
Presidente da Ajufe

2 Comentários

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  1. Muito bom, Excelências, cadeia pesada para os políticos corrupto, sem distinção de coloração partidária ou credo religioso. Vamos acelerar esses processos e engaiolar todos eles. Acorda STF!

  2. Poderiam fazer cumprir as verdadeiras leis e não se beneficiaram tanto de tantas regalias absurdas com salários absurdamente altíssimos, deveriam se colocar no lugar de quem não tem e não teve acesso a uma boa educação, que deveria ser obrigação do governo federal, estadual e prefeitura de cada cidade em prover ensino gratuito para o povo, mais a isso não se faz interesse para que o povo se eduque até porquê, um povo educado e educado, com certeza eles não fariam o que fazem atualmente no nosso amado Brasil!!!!

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