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FHC volta a defender o uso de maconha

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-líderes da Colômbia, César Gaviria, e do México, Ernesto Zedillo, defenderam nesta quarta-feira a descriminalização da posse da maconha para uso pessoal, e a “mudança de paradigmas” no combate às drogas.

Eles lançaram esta proposta como líderes da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, um grupo integrado por 17 personalidades da região que pretende promover uma nova abordagem ao problema do tráfico que substitua a “ineficaz” estratégia de “guerra” aos entorpecentes.

FHC quer a maconha livre

FHC explicou que o objetivo do grupo é legalizar a maconha e não outras drogas, como a cocaína, porque “é preciso começar por algum lugar” e porque seria “leviano” e “pouco realista” pedir o mesmo para todos os entorpecentes.

A maconha foi escolhida por sua grande disseminação em todos os países da região e porque é a “menos prejudicial”. O ex-presidente afirmou que a repressão não pode ser “a qualquer custo”, e explicou que é uma “violação inaceitável” a execução sumária dos traficantes por parte de policiais, principalmente em países nos quais não há pena de morte.

Para Gaviria, “o problema é que as atuais políticas estão baseadas nos preconceitos e temores, e não nos resultados”.

A comissão destacou que a política de repressão e criminalização do consumo adotada nas últimas décadas falhou tanto no combate das plantações, quanto na luta contra as redes de distribuição.

As recomendações do grupo serão apresentadas aos governos latino-americanos, aos Estados Unidos e à União Européia (UE), aproveitando que se gerou “um clima” para abrir o debate tanto pela disposição de alguns Estados.

Comparar Brasil com EUA

“Em muitos estados dos EUA, como é o caso da Califórnia, começaram a mudar a política federal quanto à tolerância da maconha para fins terapêuticos, e em Washington há um certo consenso de que a atual política (de repressão) está fracassando”, afirmou Gaviria.

A descriminalização da maconha deve ser acompanhada de tratamento aos viciados e de campanhas de conscientização e prevenção, sem as quais o problema da criminalidade relacionada aos dependentes poderia se “aprofundar”, segundo a comissão.

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