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O Brasil é mesmo uma grande vergonha mundial!

Foram quase sete anos sem disputar partida profissional. Exatos 2.499 dias separam o 5 de junho de 2010, última partida de Bruno pelo Flamengo, e o 8 de abril de 2017, estreia pelo Boa Esporte. Condenado por 22 anos e três meses pelo assassinato de Eliza Samudio e por ocultação de cadáver, Bruno certamente não retornou ao futebol como desejava.

Mas o simples fato de ter retornado, e de ainda por cima ter sido ovacionado pela torcida local, diz muito sobre os valores disseminados em nosso país. Ou melhor: sobre a ausência de valores! Parece que o futebol está acima de tudo, e a fama serve como salvo-conduto para os crimes.

“O goleiro teve uma tarde com status de ídolo. Único jogador que teve o nome gritado pela torcida e disputado pelas crianças, na hora de entrar em campo”, conta a reportagem da Folha de S. Paulo. Um assassino triplamente qualificado disputado pelas crianças. O crime, de fato, compensa no Brasil.

Um amigo jornalista desabafou numa rede fechada de debates: “Os que foram ao estádio cultuar o goleiro Bruno, inclusive levando suas crianças, são idiotas, sim, idiotas e imorais, rebanho bovino em forma de gente, que se deixa fanatizar por futebol e também quer aparecer aos holofotes da mídia. Há pessoas que estão no nível dos animais e têm a dignidade de um cachorro diante de um osso. Por isso, as autoridades não devem dar palanque a um criminoso: sempre haverá porcos morais para aplaudi-lo e transformá-lo em herói”.

Gustavo Nogy comentou em sua página do Facebook:

O goleiro Bruno matou, mandou matar, Eliza Samudio. Matou, mandou matar, deu o corpo aos cães. Durante todo o processo, manteve a expressão dura. Com esforço, em alguns depoimentos fingiu o arrependimento que não tem. Condenado a 22 anos de prisão, cumpriu pouco mais de 6 e foi solto por liminar, dada a demora no julgamento do recurso. Tão logo solto, foi contratado pelo Boa Esporte, time mineiro. Os cartolas não conseguiram conter a euforia. Justificaram, tergiversaram, deram de ombros. Decerto abriram champanhes. Ontem, Bruno jogou pela primeira vez depois do assassinato e foi muito bem recebido. Não houve protestos nos arredores do estádio. Entrou com criança no colo e foi aplaudido, ovacionado, festejado, perdoado. Desfez a dureza facial e até sorriu. Ele merece segunda chance. Disse há alguns dias que “a vida segue”. Para ele, segue. Para Eliza Samudio, nem tanto. Que ele cumprisse a pena e vivesse em silêncio. Mas não: voltou aplaudido, ovacionado, festejado, perdoado. Matou, mandou matar, deu o corpo aos cães. Cometeu pênalti logo no primeiro jogo.

Um Comentário

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  1. O Boa Esporte teve a chace de mostrar um pouco mais de respeito pelo povo brasileiro. Mas, preferiu ii por outro caminho. Este goleiro, a gente já sabe bem o que é. E agora. ficamos sabendo muito bem o que é a direção deste clube. Esta gente marcou seu Clube com uma das mais infames marcas que poderia ter sido idealizada. A marca da desmoralização.

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